Uma informação ventilada desde a paralisação do futebol se confirmou. O presidente do São Paulo de Rio Grande anunciou, através das redes sociais, que se afastará do cargo por 15 dias.


Deivid Pereira publicou uma nota afirmando que não há clima para manter a forma harmoniosa da gestão frente ao Leão do Parque. Ele justificou ainda que a sua decisão se baseia no fato de existir pessoas que não estão preocupadas com o clube em si. "O ambiente de hostilidade entre ideologias só nos fez perder", declarou na nota.


Ao longo do documento, que você confere na íntegra a seguir, o dirigente relatou rachas e discussões desrespeitosas. Por isso tomou a decisão de deixar a presidência do São Paulo, a princípio, por 15 dias.

Confira na íntegra:


"Estive reunido nesta manhã com a mesa do Conselho Deliberativo do Sport Club São Paulo. Comuniquei minha decisão de afastamento da presidência do clube, num primeiro momento por 15 dias. Não há, infelizmente, qualquer clima para se manter nossa forma harmoniosa de gestão.


Minha decisão se baseia no fato de que boa parte das pessoas que se dizem torcedoras não estarem preocupadas com o clube em si e com a construção de um ambiente favorável para geri-lo. O ambiente de hostilidade entre ideologias só nos fez perder.


Nossa administração ao longo dos dois anos que estamos à frente do São Paulo primou pela unidade e diálogo. O clube foi um só e esse foi o principal fator para conseguirmos recuperar a instituição. Quando há rachas e discussões desrespeitosas escusas ao interesse principal do clube, é preciso repensarmos nossa posição. Que as pessoas reavaliem se essa "guerra política" vai realmente trazer benefícios ao que quer que seja. Ressalta-se que muitas dessas pessoas que hoje batem no peito dizendo ser torcedores, nem sabem, efetivamente, onde fica o São Paulo.


O clube segue com dificuldades financeiras. Mas, comparando com o final de 2018, quando assumimos, está perfeitamente administrável, sendo considerado por muitos como modelo de reestruturação .


Sempre me dediquei ao máximo. Dei a vida ao clube. Mas minha capacidade se limita a administrar juntamente com meus pares, a gestão executiva e não a intolerância e o ódio entre pessoas que parecem quererem se matar, se degladiar.


Se um dia o São Paulo estiver novamente entregue às traças (tomara que não), que Lula e/ou Bolsonaro possam nos ajudar. Infelizmente nenhum deles auxiliou quando o nosso Leão mais precisou.


Muita coisa boa foi plantada e será colhida.


Deivid Pereira"

Foto: Arquivo Pessoal

O site peleiafc.com realizou no mês de maio um levantamento inédito sobre a quantidade de jogadores que vieram de fora do estado para a Divisão de Acesso 2020. O estudo apurou que 40% dos 428 jogadores da Divisão de Acesso estavam em outras regiões do país na temporada passada. Em números absolutos, os clubes trouxeram 175 jogadores para a Série A2.


Contudo, a contratação de jogadores tem um custo pesado no orçamento das equipes do interior. Cada transferência gera uma taxa a ser paga para a federação que o atleta está saindo.


Em recente entrevista ao portal, o presidente do São Paulo, David Pereira comentou no "Peleia FC Entrevista" sobre esses custos. O valor é classificado pelo mandatário como um absurdo.


"Talvez essa despesa só os dirigentes saibam. Se a gente quer contrata um jogador do Mato Grosso do Sul, por exemplo, nós temos uma despesa de R$ 1.500 só de taxa de transferência para trazer esse jogador. Fora algumas taxas de 80 reais para outras questões. Para esse jogador vir vai morto R$ 1.700 reais", declarou ao peleiafc.com.


Além das taxas que as Federação cobram, existe ainda outro valor para trazer um jogador fora dos limites do estado, a passagem área. Dependendo da localidade, o clube pode pagar até mil reais de deslocamento. Contudo, ele frisa que transferências dentro do mesmo estado não se paga.


"Se o jogador está aqui no RS e, por exemplo, o último clube foi o Inter de Santa Maria, não se tem taxa. Mas se vem de fora, por exemplo, no Concórdia (SC) temos que pagar. São situações como essas que são inadmissíveis. Pagar R$ R$ 1.500 por uma transferência é um absurdo", comentou Deivid ao jornalista Tiago Nunes.

CLUBES CHEGAM A GASTA R$ 27 MIL EM TAXAS


O site peleiafc.com teve acesso aos números do União Frederiquense neste ano. Os dados corroboram com a fala do presidente do São Paulo. Nesta temporada, o time de Frederico Westphalen contratou 14 jogadores de fora do Rio Grande do Sul. O clube teve três transferências de jogadores do Ceará, Mato Grosso e Goiás com custo de R$ 1.500 cada. A taxa mais barata foi de R$ 600 da Federação Catarinense. O valor do estado vizinho é mais baixo por haver um convênio entre FGF e FCF.


Conforme o presidente do Leão, Edson Cantareli, em médica, o valor das transferências fica em R$ 1.000 nas federações do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Em 2020, o União teve um custo total de 27.568 somente em taxas, das mais variadas, conforme documento que o peleiafc.com teve acesso com exclusividade.


VALORES PAGOS EM 2020 PELO UNIÃO FREDERIQUENSE:

R$ 15.950 - Transferências entre Federações

R$ 4.868 - Boleto CBF e FAAP*

R$ 2.500 - Recadastramento anual CBF

R$ 3.000 - Recadastramento anual FGF

R$ 1.250 - FGF: Taxa referente a consulta de penalidades TJD

TOTAL PAGO: R$ 27.568


*Federação das Associações de Atletas Profissionais


Fundado em junho de 2015, o Soledade completa cinco anos na próxima sexta-feira. O clube é um dos mais caçulas do futebol gaúcho e começou a jogar competições da Federação Gaúcha de Futebol nos últimos três anos. Inclusive, em 2018, o time entrou em campo pela Copa Wianey Carlet, tendo Márcio Jonatan com artilheiro com 10 gols.


Na última edição do "Peleia FC Entrevista", no sábado, o presidente do clube, Francisco Lodi comentou sobre o trabalho desenvolvido. Segundo ele, o foco é a formação de atletas para o futebol gaúcho.


"O clube tem cinco anos, mas ele foi pensado há dez anos. 2019 foi um ano bem complicado financeiramente com queda de receitas. Mesmo assim conseguimos êxito dentro de campo. Tínhamos a projeção maior de receitas neste ano, mas a pandemia pegou os clubes de uma maneira que dificulta até a sobrevivência das equipes", contou Lodi.


De acordo com o dirigente, o Soledade trabalha com atletas de 15 a 19 anos. É uma filosofia do clube jogar competições com jogadores mais jovens. No grupo principal são 35 atletas, inclusive estrangeiros.


Além da formação profissional, o Soledade almeja jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2021. A competição é a grande vitrine do futebol de base no Brasil. Contudo, para conseguir uma vaga, o clube ou tem que ser indicado pela FGF ou se classificar pelo ranking do Gauchão Sub-20, competição que o Soledade vai participar no segundo semestre.


"O grande objetivo é formar atletas. Dentro de campo a gente quer jogar a Taça São Paulo, Terceira Divisão, Segunda, Primeira (...) O Soledade beliscou uma vaga na Série D pela Copa Wianey Carlet. O Soledade é muito novo, temos décadas. Essa disputa da Copa São Paulo seria interessante até para divulgar o nosso trabalho, o nosso estilo de jogar futebol", explicou o presidente ao jornalista Tiago Nunes.


Confira a entrevista na íntegra