Árbitra do Brasileirão representará o Brasil na Copa do Mundo

CSA e Goiás se enfrentam na noite desta segunda-feira (27) pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro 2019. Além do duelo entre torcidas apaixonadas, o confronto representa um marco para o futebol do país. Uma mulher voltará a comandar um jogo da elite após 14 anos. No quadro da FIFA desde 2016, Edina Alves foi a escalada para o confronto. Em conversa com o site da CBF, a paranaense exaltou o tratamento igual para os gêneros na arbitragem da CBF, falou sobre a preparação para a Copa do Mundo, relembrou o início como assistente e muito mais. Edina, que se formou para o ofício em 2001, também destacou como espera ser tratada e lembrada. 


"Sei que ainda existe o preconceito, mas estamos rompendo barreiras. Não quero ser tratada como a Edina mulher, mas como qualquer árbitro ou árbitra do quadro. O Gaciba (Leonardo, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF) está fazendo isso, tratando todos iguais", declarou.

Paranaense de Goierê, Edina iniciou a carreira na arbitragem como assistente. Ela trabalhou em grandes jogos, como na Série A do Brasileirão, chegou a ser aspirante ao quadro da FIFA e liderava o ranking da sua carreira. O sonho de trabalhar como árbitra central mexeu com a sua cabeça e ela resolveu começar tudo do zero aos 34 anos. Ouviu muitas negativas, mas sua determinação fez com que nada disso a parasse. 


"Todos da comissão da CBF me apoiaram, mas no meu estado foi muito difícil eles aceitarem. Vários falaram que eu era louca, que já estava na Série A, que teria de começar tudo de novo... Mas eu disse que não tinha preguiça. Era o meu sonho, o que eu sempre quis e fui buscar. Voltei tudo e fiz Sub-15, Sub-17 e todas as categorias no Paraná. Na CBF continuei no Feminino, apitei base, Aspirante, apitei Séries D, C e B e o escudo (da FIFA) veio para mim em 2016. Eu não esperava. Quando o professor Sergio (Corrêa) me ligou foi uma alegria muito grande. É uma carreira muito concorrida e o escudo é o topo", acrescentou.

Edina vai representar o Brasil na Copa do Mundo Feminina FIFA na França. A preparação dela para esta e outras competições de alto nível do futebol mundial começou lá atrás. Em 2017, quando entrou para a relação do Mundial, passou cinco dias trabalhando o técnico, físico, mental e social na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), com o auxílio da Comissão de Arbitragem da CBF. O trabalho já rendeu a participação no Mundial Sub-20 do ano passado, quando fez jogos na campanha e atuou como quarta árbitra na grande decisão, e presença em torneios importantes da Conmebol. Para ela, tudo isso é muito importante, mas a oportunidade de trabalhar na Série A parece representar algo ainda maior. 

"O mundial foi inesperado. Eu sempre quis representar o nosso país. Mostrar que a arbitragem brasileira tem força, sempre quis fazer grandes jogos. O professor (Wilson Luiz) Seneme me ajudou muito nisso até, me orientando de várias formas. Mas no começo eu não pensava em mundial. Queria apitar jogo da Série A lá atrás. Era esse o meu sonho quando eu comecei. Todo mundo que me conhece sabe isso, eu dizia que um dia apitaria um jogo da Série A. São realizações. O que vai acontecer foi o que eu busquei lá atrás. Sempre me senti realizada nas quatro linhas, mas eu queria mesmo ser árbitra central e alcançar algo como um jogo da Primeira Divisão", revelou.


Foto: Kin Saito / CBF