Cerca de 300 árbitros estão parados no futebol gaúcho e Sindicato toma medidas


O escritor uruguaio, Eduardo Galeano, tem a definição perfeita aos homens de preto que ganharam novas cores no século XXI. "Apito na boca, o árbitro sopra os ventos da fatalidade do destino e confirma ou anula os gols. Cartão na mão, levanta as cores da condenação: o amarelo, que castiga o pecador e o obriga ao arrependimento, ou o vermelho, que o manda para o exílio".


Contudo, os ventos da fatalidade e as cores da condenação estão fora de cena no cenário nacional devido a pandemia de Coronavírus. O futebol brasileiro está paralisado após os casos crescentes de COVID-19 e sem previsão de normalização. Mas muitos árbitros e assistentes tem no futebol o ganho de cada dia.


CERCA DE 300 ÁRBITROS PARADOS NO RS


Com futebol paralisado, árbitros e auxiliares estão sendo prejudicados. Neste final de semana, o site peleiafc.com conversou com o presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado do Rio Grande do Sul. Maicon Zuge admite que é um momento que o futebol nunca passou e prejudica todos de um modo geral. Segundo ele, ninguém esperava por essa situação de pandemia com a paralisação de todos os campeonatos.


"Esperamos que passe logo isso e o futebol retorne o quanto antes. Árbitros federados são em torno de 225 e no geral em torno de 300 árbitros e assistentes. Não pegou só os árbitros que trabalham para federação (federados), tem os sindicalizados que trabalham nos campeonatos amadores", pontuou o representante da categoria.


Segundo Zuge, o prejuízo para categoria é muito grande. Ele cita o Anderson Daronco (FIFA), que trabalha apenas com a arbitragem e outros que fazem do futebol uma renda extra para sobreviver.


"Temos árbitros de alto nível que trabalham só com arbitragem. Mas geralmente os árbitros têm outro emprego, pois não tem como viver só do apito (...) fora quem está entre os Tops. Muitas vezes, o árbitro não tem a sorte de cair no sorteio. O prejuízo é enorme. Hoje, a arbitragem é um bico bom, é um dinheiro extra que entra e ajuda muito. Trabalhamos com árbitros amadores também que usam do próprio apito para sobreviver. Parou tudo, futebol, futebol sete, onze", explicou o presidente da SAFERGS.


GANHO É POR PARTIDA


Hoje, por jogo apitado no Gauchão, um árbitro ganha cerca de R$ 1.600. Já os assistentes, o valor chega a R$ 800. Se der a sorte de cair no sorteio e apitar três partidas por mês, um árbitro de campo recebe em média R$ 4.800 e um auxiliar, R$ 2.400.


Na Divisão de Acesso, os valores pagos por partida são diferentes e caem significativamente. Na primeira fase, o árbitro ganha R$ 777. Já os assistentes, o pagamento é de R$ 389. Assim como no Gauchão, os valores aumentam a cada fase que o campeonato avança. Se um árbitro trabalhar em três jogos e um mês, ele ganhará R$ 2.331 na Série A2 e o assistente R$ 1.167.


MEDIDAS DE AUXÍLIO AOS ÁRBITROS


No momento que foi decretado o isolamento social, o Sindicato fechou a sua sede e tem trabalhado a distância. Conforme o presidente Maicon Zuge, algumas medidas foram tomadas para auxiliar a categoria. Não será cobrada mensalidade de março e abril dos árbitros junto ao sindicato. A entidade também vai bancar o seguro de vida deles neste período.


Essa paralisação do futebol traz à tona a profissionalização da arbitragem no país. A lei chegou a ser sancionada em 2013, mas falta a regulamentação. Não existe um salário pago mensalmente. É neste ponto que mora o problema. Quem arcaria com as despesas trabalhistas? CBF? Federações? Fica a reflexão.


Peça importantíssima no futebol, o árbitro carrega uma pressão única a cada jogo, mas falta a profissionalização para ter uma dedicação exclusiva. Até porque, como já escreveu Galeano, "álibi de todos os erros, explicação para todas as desgraças, as torcidas teriam que inventá-lo se ele não existisse".


Foto: Sindicato dos Árbitros/Divulgação/Divulgação