Clubes argumentam que segurança identifica infratores e que álcool já é vendido em entorno

A subcomissão mista que trata da venda e consumo de bebidas alcoólicas em estádios de futebol realizou na segunda-feira mais um seminário para discutir o tema, no Plenarinho da Assembleia Legislativa. Segundo o deputado Tenente-Coronel Zucco (PSL), relator e proponente do grupo de trabalho, a cada evento se consolida a certeza de que a iniciativa possui grande repercussão social porque atinge um grande contingente de gaúchos. “É um trabalho altamente proveitoso onde cada segmento envolvido participa através de contribuições valiosas para a produção do documento final”, afirmou, revelando que o relatório conclusivo deve ser finalizado em meados de julho.


Ontem, a subcomissão recebeu representantes dos clubes de futebol e da Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Ivan Santos, diretor do Sindicato dos Clubes, contou que a entidade encomendou pesquisa onde 80% dos entrevistados se mostraram favoráveis à retomada das bebidas nos estádios. “Há casos de depósitos que comercializam bebidas alcoólicas defronte aos estádios, o que agride a lógica (da proibição da venda)”, argumentou.


Roberto Antônio Delazzeri, vice-presidente da SER Caxias, reforçou a ideia. Foi enfático ao dizer que o debate em torno do assunto “é uma grande hipocrisia porque no entorno dos estádios a venda é livre”, inclusive envolvendo bebidas de alto teor alcoólico, registrou. Lembrou que os clubes investem pesado em segurança, campanhas de conscientização e na fiscalização das torcidas organizadas.


O vice-presidente jurídico do Internacional, Gustavo Juchen, parabenizou a subcomissão pelo debate. Disse que a realidade dos grandes clubes de Porto Alegre é diferente da situação no Interior porque terceirizam a comercialização de bebidas. Advertiu para a existência de investimentos maciços em dispositivos de segurança para identificar os torcedores infratores. Citou, ainda a existência do funcionamento do Juizado Especial Criminal (Juizado do Torcedor) para onde são levados os frequentadores que cometem delitos e recebem a pena no local.


Romildo Bolzan Jr., presidente do Grêmio, disse que o debate serve para aprimorar a regulamentação do tema. “O torcedor está maduro e entendeu que é preciso fiscalizar quem comete excessos, e ele mesmo denuncia os infratores”. Disse, ainda, que os novos estádios primam pelo conforto e segurança e que existe unanimidade de que o grande problema está do lado de fora.


O deputado Sebastião Melo (MDB) criticou a maneira como foi votado o projeto de lei que liberou a venda de bebidas nos estádios, posteriormente vetado pelo governador Eduardo Leite, e que deu origem à subcomissão. O parlamentar acrescentou que um tema de tamanha importância precisa de amplo debate, transparência e a busca de um consenso mínimo. “Precisamos trabalhar com cautela porque basta um único incidente grave para que nós, deputados, sejamos acusados de irresponsáveis e culpados”, advertiu.


O deputado Erani Polo (PP) destacou a evolução das novas arenas e das relações humanas, com as pessoas tomando consciência de suas responsabilidades. “Quando isso não acontece é preciso agir com o rigor da lei para punir, como ocorreu na relação do álcool no trânsito”, avaliou.


O seminário realizado ontem foi a quarta atividade organizada pela subcomissão mista da Assembleia Legislativa. Na semana passada o grupo de trabalho reuniu clubes do interior do Estado na Câmara Municipal de Santa Maria.


O deputado estadual Tenente-Coronel Zucco lembra que o cronograma de trabalho prevê, ainda, a realização de visitas técnicas a órgãos de segurança e estádios para conhecer o aparato tecnológico para identificar torcedores que infringem a lei durante os jogos.


Foto: Celso Bender | Agência ALRS