EDITORIAL: Dupla GRE-NAL não deveria participar da Copa Verardi

EDITORIAL PELEIA FC


Fazer futebol no interior do Rio Grande do Sul é uma luta diária. Só quem coloca um time em campo e paga as contas sabe das dificuldades. Para o torcedor, o que importa é o time vencer. Ele não quer saber se o clube está com o caixa no vermelho ou se os atletas viajam no dia.


Os campeonatos do primeiro semestre do futebol gaúcho mobilizam mais os torcedores. Já nos últimos seis meses do ano é quase um milagre conseguir colocar mil pessoas para ver a Copa organizada pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF). A fase que atrai público é do mata-mata. Contudo, quando se chega nesta etapa, alguns clubes podem ter o azar de dar de frente com a dupla GRE-NAL, que não deveria participar da Copinha.


A CBF organiza diversos campeonatos nas categorias de base para Grêmio e Inter jogarem. A Copa FGF deveria ser somente para os clubes do interior, pois são eles que precisam de vaga na Copa do Brasil e Série D do Brasileirão. A dupla da capital usa o torneio mais como uma sequência de amistosos que não interfere em nada no seu planejamento. Entretanto, Inter e Grêmio podem destruir um planejamento de um clube do interior e trazer sérios prejuízos financeiros.


Vamos tomar como exemplo o Bagé, que fez a melhor campanha no geral na fase de grupos da Copa Verardi. No sorteio do mata-mata, o clube foi "brindado" com dois jogos contra o Internacional. O clube que mirava uma competição nacional viu seu sonho ruir após perder para o colorado os dois confrontos. E o placar foi apertado, 2 a 1, ambas as partidas em favor do time do Beira-Rio. Ao Bagé sobrou lamentar a chance perdida de chegar a competição organizada pela CBF, como almejava. Caso chegasse a uma Copa do Brasil, por exemplo, receberia 500 mil reais. O valor é referente a cota de participação na primeira fase. Esse montante para um clube do interior é como ganhar na loteria.


Para Grêmio e Inter uma eliminação na copinha não surte efeito nenhum para sua torcida, que pouco acompanha essa competição, já que a preocupação é o time principal. Ao interior, uma vaga na Copa do Brasil ou na Série D do Brasileirão é um avanço significativo e uma infeção financeira nos cofres, que passam o ano vermelho.


Editor do Site Peleia FC

Tiago Nunes