Homem negro espancado até a morte era apaixonado pelo São José

Quatro pessoas são suspeitas de envolvimento na morte de João Alberto Freitas, de 40 anos, espancado no supermercado Carrefour do bairro Passo d’Areia, em Porto Alegre. Duas delas estão presas. São os vigias do mercado.


A chefe de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor, comentou as prisões e informou que os quatro indiciados vão responder criminalmente por homicídio triplamente qualificado. Laudos preliminares indicam que a causa da morte foi asfixia.


Na noite dessa quinta-feira, João Alberto teria discutido com um caixa do mercado e, em seguida, foi levado para o estacionamento pelos dois seguranças. Quando o cliente perdeu a consciência, os funcionários do Carrefour chamaram a ambulância, mas quando o socorro chegou João Alberto já estava morto.


Os dois seguranças foram presos horas depois. Um deles era funcionário de uma empresa terceirizada. O outro é policial militar temporário e foi levado ao presídio militar. A Brigada Militar abriu um processo administrativo que pode resultar na demissão do policial.


APAIXONADO PELO SÃO JOSÉ


João era um torcedor apaixonado pelo São José. Ele frequentava o estádio do Zeca para apoiar o clube. Durante o protesto de sexta-feira, um grupo da torcida do time da capital prestou uma homenagem ao João na caminhada com uma coroa de flores. Em nota, o clube lamentou a morte do seu torcedor.


"Neste Dia da Consciência Negra, nossa reflexão é um apelo por justiça. Na noite desta quinta (19), nosso torcedor, João Alberto Silveira Freitas, negro, foi morto espancado por seguranças do hipermercado Carrefour. Mais um caso de violência que escancara a desigualdade de direitos que permeia o dia a dia da sociedade.

Seja no futebol ou fora dele, o preconceito estrutural está presente, como uma chaga que não cura. Quando se fala em consciência, o que se pede é respeito a cada um, com seus valores e vivências. Chega de preconceito", disse o clube.


PROTESTOS


Durante toda sexta-feira, manifestantes protestaram em frente ao Carrefour Passo d’Areia e a outras lojas da rede pelo país, pedindo justiça. O Atlas da Violência deste ano indica que 58 mil brasileiros morrem por homicídio todos os anos. A cada quatro vítimas, três são negras.


O governador gaúcho Eduardo Leite prometeu que os envolvidos vão responder por seus atos.


A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, se manifestou por meio das redes sociais. Disse que as imagens do espancamento são chocantes e causaram indignação e revolta.


Em nota, a rede Carrefour lamentou o fato, afirmou que rompeu o contrato com a empresa terceirizada de segurança e disse que o funcionário que estava no comando da loja será desligado. A empresa acrescentou que daria o suporte necessário à família de João Alberto. O Carrefour classificou o episódio como inexplicável e disse que não admite nenhum tipo de violência e intolerância.


Não é a primeira vez que funcionários do Carrefour se envolvem em episódios de violência. O mais recente foi em agosto deste ano, no Recife, onde funcionários usaram guarda-sóis e caixas de papelão para esconder o corpo de um outro trabalhador que tinha morrido dentro do supermercado, que continuava funcionando normalmente. Na ocasião, a empresa afirmou que a forma como tratou da ocorrência foi inadequada e pediu desculpas.


Com informações Agência Brasil