Injúria Racial: Divulgada a súmula de São Luiz e Caxias

Foi publicada na noite de terça-feira, a súmula do jogo entre São Luiz e Caxias no estádio 19 de Outubro. A partida ocorreu na última segunda-feira e foi marcada por um ato de injúria racial contra o atleta Tilica, do Caxias. Na ocasião, a equipe da serra gaúcha venceu por 2 a 1 o jogo.


No documento disponibilizado no site da FGF, o árbitro Anderson Farias relata que aos 39 minutos, do segundo tempo, após marcação de uma falta contra o Caxias, foi informado pelos jogadores da equipe visitante um ato de racismo contra o atleta camisa 7.


"Ao olhar para a linha de meta perto do banco de reservas da equipe do SER Caxias, observei jogadores titulares e substitutos perto do alambrado discutindo com torcedores localizados na parte destinada a torcida da equipe EC São Luiz, a equipe da Brigada Militar comandada pelo Capitão Gilmar Bischoff e cerca de mais 10 PMs, que já estavam tentando afastar os jogadores do alambrado, foi quando me aproximei do local", descreve o árbitro.


O homem do apito relata ainda que perguntou ao Tilica o que havia ocorrido. O atleta disse que foi chamado de macaco por um torcedor do São Luiz. Conforme Farias, através do sistema de comunicação, perguntou aos demais profissionais da arbitragem se haviam escutado as ofensas citadas pelo atleta.


"Os assistentes 1 e 2, assim como o quarto árbitro, não estavam próximos deste atleta que havia sido substituído e estava se direcionando ao seu banco de reservas, e relataram que não conseguiram escutar as ofensas. Me dirigi ao encontro do chefe do policiamento, o Capitão Gilmar Bischoff, e informei a ele, que o atleta havia me relatado que tinha sido chamado de macaco, perguntei qual o procedimento que a brigada militar deveria seguir. O Capitão me disse que o atleta ofendido deveria identificar o autor desta injuria racial, e que com esta identificação ele poderia prender o torcedor", detalha.


Então, o árbitro se dirigiu ao banco de reservas e viu o atleta do Caxias chorando sentado e com as mãos no rosto. Na súmula, Farias relata o depoimento do atleta ao ser perguntado o que tinha ocorrido:


"Ele me chamou de macaco meu, me chamou de macaco, eu quero identificar ele sim", contou o jogador ofendido.


Junto com o Capitão Gilmar, da Brigada Militar, ambos se deslocaram até o setor atrás do gol para tentar identificar o autor. O jogador foi em direção a torcida, contudo a pessoa não estava mais lá.


Segundo o árbitro, a partida ficou interrompida por 4 minutos. Não foi registrado boletim de ocorrência após o jogo. O Caxias fez o procedimento no dia seguinte e disse que prestou auxilio ao atleta. A súmula será encaminhada ao TJD.


Imagem: Divulgação/FGF/Reprodução