Súmula: Árbitro relata quatro agressões e três expulsões após jogo no Centenário


Na noite de quarta-feira, o Caxias foi eliminado da Copa do Brasil. O time da serra gaúcha empatou em 1 a 1 com Botafogo, do Rio de Janeiro. Após o apito do árbitro, houve muita reclamação contra a arbitragem. Os atletas e integrantes do clube entraram em campo e cercaram o profissional Lucas Canetto Bellote, de São Paulo. O juiz disse que foi agredido com um tapa no rosto, uma joelhada por trás, um soco nas costas e um chute nas pernas. Os atletas reclamam de dois pênaltis não assinalados.


Nesta quinta-feira, a CBF disponibilizou a súmula da partida. No documento oficial do jogo, o árbitro relatou as agressões e também as expulsões de três atletas do time grená.


Foram expulsos os seguintes nomes, conforme a súmula:


Marcelo Pitol - Após o término da partida foi expulso com cartão vermelho direto o atleta Marcelo Pitol n° 1 da equipe, por dar-me um tranco com seu peito em minhas costas, sendo que não foi possível apresentar o cartão para o atleta referido, devido ao tumulto generalizado.


Jarlesson Inácio - Após o término da partida foi expulso o atleta Jarlesson Inacio n°11 da equipe,sendo identificado pelo assistente n°2 Evandro de Melo Lima por desferir um soco com a mão esquerda nas minhas costas, sendo que o mesmo estando de colete foi identificado pela equipe de arbitragem, não foi possível apresentar cartão vermelho devido ao tumulto generalizado.


Rondinelli da Silva Vieira - Após o término da partida foi expulso o atleta Rondinelli da Silva Vieira n°20 da equipe, sendo identificado pelo assistente n°1 Miguel Cataneo Ribeiro da Costa, por chutar minha perna direita, não foi possível apresentar cartão vermelho devido ao tumulto generalizado.


MAIS OCORRÊNCIAS


O árbitro ainda descreveu na súmula, que após o término da partida, o campo de jogo foi invadido por Diogo Vicente Aver, identificado pelo clube, como seu gerente operacional.


"Se aproveitando de quando eu falava com os jogadores da equipe ser caxias, se aproximou e me agrediu com uma joelhada nas nádegas. Logo após este fato, fui novamente agredido pelo mesmo gerente com um tapa no rosto. Durante o ato o mesmo ofendeu-me com as seguintes palavras: 'você é um ladrão, safado, vai toma no cu, vem aqui roubar meu time', presenciado pelos assistentes da partida", declara a súmula.


Depois deste fato, o juiz afirma que a Brigada Militar chegou para conter os atletas do time gaúcho. Lucas Bellote ainda disse que o então Diretor de Desenvolvimento da CBF, Washington Stecanela Cerqueira foi ao vestiário da arbitragem, antes do jogo, e o desejou sorte. Contudo, ao final da partida, enquanto os profissionais realizam a súmula, visualizaram na internet vídeos do ex-atacante mostrando um equipamento de celular ao auxiliar técnico Jeferson Ribeiro do Caxias, com o lance do possível pênalti. Nesta quinta-feira, a CBF anunciou o desligamento de Washington devido ao acontecimento.


NOTAS DA CBF E DO CAXIAS


Tanto a CBF quanto o Caxias repudiaram as agressões ao árbitro em notas publicadas na internet. Confira:


CAXIAS

"A Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul – SER CAXIAS vem a público manifestar seu repúdio a qualquer tipo de violência, lamentando o episódio isolado envolvendo seu funcionário, ocorrido na noite desta quarta-feira (05/02), após a partida realizada entre esta equipe e o Botafogo de Futebol e Regatas, válido pela Copa do Brasil 2020. A diretoria reafirma o seu compromisso com a ética e o respeito, assegurando que este tipo de conduta não representa sob nenhum aspecto seus princípios. A SER Caxias tem como uma de suas diretrizes o fair play e nutre profundo respeito a todos os árbitros, personagens tão importantes para o futebol. O Clube não tolera e não admite fatos como o de ontem, e informa que internamente tomará as medidas cabíveis."


CBF

"A Confederação Brasileira de Futebol repudia com veemência a covarde agressão sofrida pelo árbitro Lucas Canetto Bellote, ao final da partida entre Caxias e Botafogo, válida pela primeira rodada da Copa do Brasil 2020. Cenas lamentáveis como esta não fazem e não podem fazer parte do cenário do futebol brasileiro. A CBF defende o respeito aos árbitros, que são atores imprescindíveis à prática do futebol, e entende que o agressor deve ser punido de forma rigorosa."


Foto: Thais Fernandes/CBF