Analista de desempenho gaúcho da seleção brasileira de futsal projeta Copa do Mundo 2021

A Seleção Brasileira de futsal disputará entre 12 de setembro e 3 de outubro a Copa do Mundo 2021, na Lituânia. Gaúcho e analista de desempenho da seleção, Rodrigo Carlet está no cargo desde 2019 e durante estes 2 anos teve que lidar com muitos desafios importantes. Ele foi o primeiro analista de desempenho a ser convocado para a Seleção Brasileira de Futsal e trabalhou por muitos anos nas categorias de base do Internacional e do Grêmio.


“Desde o início da carreira, em 2009, venho me preparando profissionalmente para buscar sempre novos desafios, visando realizar trabalhos que realmente contribuíssem para o desenvolvimento da área de Análise no esporte. Poder representar o País nestes últimos anos é um enorme privilégio e certamente a realização de um sonho e, chegar neste momento de disputa de uma Copa do Mundo, é um dos maiores objetivos profissionais”, exaltou Rodrigo Carlet.


O cenário em que Rodrigo assumiu o cargo foi longe do ideal. Isso porque a pandemia mundial fez com que os esportes fossem paralisados por um longo período. Por isso, mesmo depois da volta dos campeonatos, o mundo esportivo mudou, tanto em relação a hábitos, quanto desenvolvimento. Mesmo assim, Carlet não desanimou e explicou como lidou com o processo nos últimos anos.


“Certamente a pandemia foi um agravante, pela impossibilidade de convocações e de realizarmos torneios amistosos. No entanto, o trabalho da Comissão Técnica foi muito importante neste processo, graças ao qualificado monitoramento de todos os departamentos com os possíveis atletas convocados. No Departamento de Análise, durante o ciclo de preparação tivemos a possibilidade de monitorar 87 atletas, de 26 equipes, distribuídos em 6 países, com coletas de dados quantitativos e, principalmente, qualitativos, visando oferecer relatórios individuais ao técnico Marquinhos Xavier e ao restante da comissão”, explicou o analista.


A tradição do Brasil no futsal tornou o país penta-campeão no Futebol de Salão. Muito dessa dominância brasileira existiu graças ao brilhantismo de Falcão, maior jogador de futsal de todos os tempos. Entretanto, o atleta anunciou sua aposentadoria da seleção na Copa do Mundo de 2016 e esta será a primeira em que o time canarinho não terá o camisa 12 entre os 16 relacionados. Rodrigo destrinchou a estratégia que a comissão técnica brasileira adotou para se manter na elite sem o atleta.


“Falcão é o maior jogador de Futsal de todos os tempos, isso não resta dúvida. Um atleta com uma qualidade impressionante em todos os aspectos de quadra e com um perfil e carisma fantásticos fora dela, tudo isso ajudou para que a nossa modalidade se tornasse o que ela é nos dias atuais. O trabalho e a preparação para contornar este fator da aposentadoria foi muito bem desenvolvido, desde 2017, tanto por parte da Comissão Técnica que é extremamente qualificada, quanto pelos atletas que vêm sendo convocados e apresentando uma entrega coletiva enorme na Seleção e em seus clubes. Individualmente, os atletas brasileiros seguem sendo destaques mundialmente, e certamente o Brasil estará muito bem representado no torneio. E claro, que esse desempenho individual se deve muito ao próprio Falcão que é referência e inspiração para inúmeros destas gerações de atletas. A contribuição dele não se encerrou ali na aposentadoria, ela segue até hoje e ainda atravessará gerações, pode ter certeza disso”, analisou Rodrigo.


Por fim, com as Olimpíadas 2020 recém- terminadas, o debate sobre a falta do futsal no torneio voltou a ser levantado. Os amantes do esporte - principalmente os brasileiros - começaram a questionar o porquê do Futebol de Salão ainda não ser um esporte olímpico. Rodrigo Carlet mostrou seu ponto de vista e analisou o futuro do futsal em outros grandes torneios, como as Olimpíadas.


“Realmente é um assunto que muitas vezes faltam explicações. É um sentimento de esperança que fica, principalmente neste período de disputa olímpica, em que o país inteiro acompanha, torcendo por nossos atletas. Acredito que ambos (futsal e Olimpíadas), seriam beneficiados caso caminhassem juntos e, certamente seria fantástico para a modalidade e para o Brasil por ser um dos esportes mais praticados aqui. Porém, vale lembrar que em 2018 o futsal teve sua primeira participação nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires (na oportunidade, o Brasil conquistou o ouro), fato que pode servir como um alento para uma possível inserção nas Olimpíadas”, finalizou e projetou Rodrigo Carlet esperançoso.


A 9ª edição da Copa do Mundo de Futsal tem data marcada para iniciar no dia 12 de setembro. O Brasil está no grupo D, ao lado das seleções nacionais da República Tcheca, Panamá e Vietnã.


Foto: Rodrigo Carlet / Arquivo pessoal