A paralisação do futebol trouxe a tona a reflexão do calendário gaúcho. Para muitos profissionais está na hora de se pensar em uma mudança no calendário do futebol no Rio Grande do Sul.


Em 2019, 41 clubes profissionais entraram em campo na temporada de 2019, segundo a Pluri Consultoria. O Rio Grande do Sul é o terceiro estado com mais clubes em atividade, ficando atrás de São Paulo com 89 e Rio de Janeiro com 66 equipes.


O site peleiafc.com ampliou essa temática e elaborou um Raio X da atividade de todos os 41 clubes gaúchos que entraram em campo no calendário nacional e regional. O levamento completo você confere na imagem ao final desta postagem.


A pesquisa mostra alguns números importantes. Os clubes com calendário maior são do Campeonato Gaúcho Série A. Contudo, dois fecharam as portas no restante da temporada após o estadual da primeira divisão: Veranópolis e São Luiz. Os demais jogaram a Copa FGF ou alguma competição da CBF.


Na Divisão de Acesso, nota-se um desinteresse pela Copa FGF. Dos 16 clubes, apenas quatro jogaram a copinha da Federação: Cruzeiro, Lajeadense (parceria com Juventude), Bagé e São Borja. Ao fim da Série A2, 11 clubes ficaram sem calendário. O campeonato teve uma situação excepcional, que foi o Ypiranga jogando a Série C e a Copa do Brasil.


Na Terceirona Gaúcha, percebe-se um interesse maior pela Copa FGF. Dos 12 clubes participantes, sete entraram em campo pela Copinha. Contudo, outros cinco jogaram apenas a Terceirona no primeiro semestre. O Gaúcho foi a única equipe da 3º Divisão a ter um calendário mais cheio, com Terceirona, Copinha e Série D.


Também tivemos um clube que não entrou em campo no primeiro semestre, mas jogou na segunda parte do ano. O União Harmonia não atuou em nenhuma divisão da FGF. Entretanto, o time de Canoas optou por jogar a Copa da Federação nos últimos seis meses do ano.


Dos 41 clubes em atividade profissional no ano passado no futebol gaúcho:


> Jogaram 1 campeonato:

19 clubes


> Jogaram 2 campeonatos:

14 clubes


> Jogaram 3 campeonatos:

4 clubes


> Jogaram 4 campeonatos:

4 clubes (sendo dois Grêmio e Inter)


* Em 2019, a dupla Gre-Nal teve calendário internacional, mas não entrou na nossa contabilidade.

Arte: PELEIA FC

Em breve, os clubes da Divisão de Acesso poderão discutir uma mudança específica no regulamento do campeonato. Assim como no Gauchão, há a intenção de não ter rebaixamento na Série A2. Esta possibilidade já foi admitida publicamente pelo presidente da FGF.


Na última semana, em entrevista ao jornalista Eduardo Pires, na Vale TV, Luciano Hocsman voltou a comentar sobre as tratativas de retorno da Divisão de Acesso. O campeonato está previsto para retornar em agosto.


Segundo Hocsman, a Série A2 pode não ter rebaixamento, mas os clubes terão a obrigação de jogar a competição. Caso algum não entre em campo para o restante do campeonato, este clube seria tratado como desistente e, assim, vai sofrer as punições impostas pelo regulamento de competições da FGF, como rebaixamento.


"Nós ainda não chegamos a conversar sobre isso. O que é certo nisso é que se acontecer da Divisão de Acesso não ter rebaixamento, os clubes terão a obrigatoriedade dela participar. Aquele clube que dentro do seu planejamento entender o seguinte: 'bom não tem rebaixamento e eu não tenho dinheiro para jogar' (...) Esse clube vai ser considerado desistente e acabar sendo rebaixado para segunda divisão no ano seguinte", afirmou Hocsman.


Hoje, o Rio Grande do Sul é regido pelo sistema de bandeiras, denominado pelo governo como Distanciamento Controlado. A maior parte das 20 regiões definidas pelo Piratini está na bandeira laranja com diversas restrições, como a limitação dos treinos físicos aos clubes. As equipes não podem realizar partidas ou trabalhos coletivos. Atualmente, apenas Ijuí estaria liberada.


Durante entrevista ao jornalista Eduardo Pires, na Vale TV, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol comentou sobre a retomada do Campeonato Gaúcho. Segundo Luciano Hocsman, o cenário ideal seria cada clube jogar em seu estádio, mesmo que sem público.


"É logico que a intenção nossa é que façamos as partidas de cada clube em seu estádio. Esse é cenário ideal, mesmo com portões fechados e sem torcida. O que nós praticamente descartamos é uma sede única, uma cidade, pois entendemos que em termos de logística é muito complicado, pois são 12 equipes. É tu mover uma usina para ascender uma lâmpada", se posicionou Hocsman.


A segunda opção trabalhada pela Federação é a regionalização da primeira divisão, fazendo o deslocamento mínimo de equipes, já que sede única está descartada. Conforme o presidente da FGF, uma das soluções seria concluir o Gauchão em 2 ou 3 regiões do estado


"Agora, nós dividirmos em duas, três regiões com capacidades de estádios grandes, onde minimamente conseguirmos deslocar um numero minimo de equipes isso a gente vem pensando desde março. Claro que agora com a situação das bandeiras vem ganhando mais força. O cenário ideal seria cada um jogar em seu estádio. A segunda opção regionalização. As bandeiras hoje não nos permitem que a gente faça o cenário ideal, mas temos ainda 45 dias e se precisar esperar mais um pouco a gente espera também", declarou o presidente da FGF.

Foto: Tiago Nunes/Peleia FC