Bastidores da reunião: Divisão de Acesso se encaminha para um cancelamento

A retomada da Divisão de Acesso está cada vez mais difícil. O peleiafc.com ouviu vários dirigentes da Série A2, eles são favoráveis a se fazer futebol, mas as circunstâncias levam a opinar pelo cancelamento a competição. São diversos problemas que podem surgir nas 17 rodadas para concluir o campeonato. Esses empecilhos inviabilizam a competição, conforme as fontes.


A experiência do Gauchão, com as poucas rodadas restantes e as sedes regionalizadas, nortearam parte do encontro online entre os dirigentes e a Federação na última quarta-feira. Os exemplos dos problemas enfrentados pela FGF para a finalização da elite do estadual foram citados.


Atualmente, cerca de 13 clubes opinam ser inviável a sequência da competição. Outros três seriam a favor, sendo dois com convicções mais fortes. Para o cancelamento da competição seria necessário convencer estes para uma decisão já na terça-feira, data da próxima reunião online.


O site peleiafc.com elencou alguns pontos da discussão sobre a Divisão de Acesso:


> Sistema de Bandeiras: São 15 cidades envolvidas em situações diferentes com Bandeiras laranjas e vermelhas. O peleiafc.com ouviu de um dirigente, morador de cidade em bandeira vermelha que não há nem restaurante aberto no município. "Não estamos nem podendo almoçar em restaurante, como voltar com a bola?" questionou.


> Liberações das prefeituras: Outro problema é quanto a liberação das prefeituras para treinos e jogos. Duas cidades da Divisão de Acesso negaram recentemente jogos para o Campeonato Gaúcho devido a situação da pandemia. Não há garantias de que todos os municípios irão liberar futuramente os jogos. Jogar e treinar fora da cidade geraria mais custos aos clubes.


> Testes Covid-19: A Federação estaria disposta a ajudar os clubes a bancar os testes para o novo coronavírus. O valor ficaria na casa dos 40 mil para cada equipe por toda a competição. Contudo, as demais despesas geradas pelos protocolos ficariam a cargo das equipes. "Os testes serão bancados pela federação. Nós pensamos nos jogadores, são muitas famílias dependentes deles que estarão desamparadas. Desta forma vejo que é possível a realização do campeonato", manifestou um dirigente favorável ao campeonato nesta quarta-feira.


> Logística dos jogos: Viagens com redução drástica de ocupantes nos ônibus, sendo necessário utilizar dois veículos. Clubes teriam que viajar no dia para não ficar em Hotéis, pois dependendo das bandeiras também há restrição neste serviço. As partidas seriam de portões fechados. Não há sinalização por parte do estado de abertura para aglomeração.


> Datas para o fim da competição: Há calendário para finalizar a Divisão de Acesso, mas a cada semana o tempo fica escasso. A data limite para o recomeço dos jogos seria 20 de setembro. A Federação foi clara aos clubes que os campeonatos de 2020 devem terminar em 2020.


> Risco de contaminação: O problema enfrentado pelo Pelotas, na véspera do Bra-Pel, é outro exemplo de barreira a ser superada. Caso um jogador seja diagnosticado com a covid-19, todos que tiveram contato com ele deverão ficar em quarentena de 14 dias. Em Minas Gerais, um fato semelhante foi registrado e a final da Taça Inconfidência foi cancelada. O Uberlândia teve 9 jogadores positivados para o novo coronavírus, o que inviabilizou a decisão contra o Cruzeiro.


> Dirigentes esgotados: Pelo menos dois presidentes declararam estar esgotados emocionalmente com toda essa situação. "A gente quer jogar, mas sabe que as condições são totalmente diferentes. Saio triste da reunião e não vislumbro uma solução sem uma sangria financeira dos clubes. Já temos quatro trabalhistas (ações na justiça) rolando", ouviu o jornalista Tiago Nunes de um dos presidentes. Já outro mandatário disse ter saído bastante "chateado", pois não há uma abertura de olhar de todos os envolvidos dos problemas que virão com a retomada. "Queremos jogar, mas os custos serão altos e vai levar a falência do futebol gaúcho. Eu não posso ser irresponsável de colocar uma equipe co-irmã a jogar sem condições", desabafou outro dirigente.


> Volta forçada: Hoje, a maioria não vê condições de prosseguimento da competição com a pandemia e com os altos custos com protocolos a serem cumpridos. As regras seriam praticamente iguais as do Campeonato Gaúcho, com pouca flexibilidade. Caso não haja um consenso para o cancelamento e o campeonato volte, existe o temor de uma debandada dos clubes, com desistências da Série A2. "A questão são os custos muito elevados, de um calendário de três meses e sem nenhuma garantia de chegar o mês de setembro e ter condições sanitárias. O bom senso pede para encerrar o campeonato", reconheceu um terceiro dirigente em contato com o site. Já um quarto dirigente ouvido fala que até oito equipes poderiam desistir, por não ter condições de jogar três meses. Teve até presidente cogitando entregar o cargo, caso haja o retorno da Série A2.


> Empresários fragilizados: A pandemia atingiu todos os setores do mundo. Com as restrições, os empresários reduziram custos e demitiram funcionários. Os clubes também tiveram redução de patrocinadores e muitos não voltarão tão cedo a colaborar com o futebol até se recuperarem economicamente. Com portões fechados, outra fonte de renda dos clubes seca. Para pagar os atletas, alguma fonte de arrecadação teria de ser criada. A CBF já disse que ajuda apenas as equipes que estão em campeonatos nacionais que ela organiza.


> Nova reunião: Na terça-feira, dia 11 de agosto, haverá uma nova reunião para tratar sobre o futuro da Divisão de Acesso. Um dirigente defendeu publicamente esperar ainda mais para tomar uma decisão sobre a Série A2: "Acho que temos que esperar até o final de agosto, começo de setembro para tomar uma decisão. Vamos ter que aguardar. Quando vê, a situação do coronavírus estará bem inferior a hoje. Terça eu não vou decidir se vai ter campeonato ou não. É muito cedo para tomar uma decisão".