Clube do interior entra com pedido de recuperação judicial, tem leilão suspenso, contas desbloqueadas e busca reestruturação
- Peleia FC

- há 28 minutos
- 2 min de leitura

O Cruzeiro conseguiu um fôlego vital para a manutenção de sua história centenária. Na madrugada desta quarta-feira (28), a Justiça concedeu uma tutela cautelar de urgência que suspende, por 60 dias, todas as execuções e atos de cobrança contra o clube. A decisão interrompe imediatamente o processo de leilão da Arena Cruzeiro, que estava marcado para fevereiro com um lance mínimo de R$ 7,9 milhões — valor considerado pelo clube muito abaixo da avaliação real do bem, estimada em cerca de R$ 37 milhões.
A medida judicial é o primeiro passo para a concretização da Recuperação Judicial do "Estrelado". O clube argumentou enfrentar uma severa crise financeira, com um passivo consolidado que supera os R$ 9 milhões. Deste montante, aproximadamente R$ 5,2 milhões são créditos sujeitos a renegociação imediata com os principais credores. Além de salvar o estádio, a Justiça determinou o desbloqueio das contas bancárias do clube, que alegava estar com as operações inviabilizadas devido a múltiplos sequestros de valores.
Em nota oficial, a nova diretoria, empossada no início de janeiro, afirmou que a decisão de buscar amparo legal foi "difícil, porém necessária e responsável". A gestão destacou que trabalhou intensamente nos bastidores para proteger o patrimônio e evitar uma perda irreversível. Com a suspensão do leilão, o Cruzeiro terá agora dois meses para trabalhar na composição das dívidas e apresentar um plano sustentável de pagamento, seguindo os trâmites legais e das entidades esportivas. O clube fez questão de ressaltar que a entrada na Justiça não significa um abandono das obrigações financeiras.
"Essa ação não representa fuga de compromissos. Pelo contrário. Representa o compromisso firme de moralizar a gestão, interromper o ciclo de improviso, evitar a perda irreversível de bens históricos, e assegurar que credores, funcionários, atletas e a própria comunidade sejam respeitados. Proteger o Clube hoje é garantir que ele continue existindo amanhã. É honrar o passado, cuidar do presente e construir um futuro sustentável, onde o Esporte Clube Cruzeiro siga cumprindo seu papel esportivo e social", destacou o comunicado.
A decisão do magistrado baseia-se no risco de dano irreparável ao clube, visto que a Arena Cruzeiro é o seu principal ativo. Com o cronograma de 60 dias iniciado retroativamente em 26 de janeiro, a diretoria agora corre contra o tempo para organizar a casa e garantir que o futuro do clube em Cachoeirinha seja definido através do diálogo e da transparência, como frisa a nota do clube.






Comentários