Com último pagamento em maio, atletas do Brasil expoem atrasos nos salários

Prestes a ser rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro, o Brasil de Pelotas também vive uma crise financeira. Na última sexta-feira, o grupo de jogadores do Xavante emitiu um comunicado à imprensa. O documento é assinado pelo advogado Filipe Rino, especialista em Direito Desportivo. Conforme a carta aberta, o último pagamento foi realizado no mês de maio. Assim, seriam dois meses de atrasos.


Os jogadores ainda citam que não foi efetivada a premiação do Campeonato Gaúcho pelo time ter chegado à semifinal da competição. Segundo a carta aberta, muitos atletas sofrem problemas financeiros, como ordens de despejo de seus imóveis alugados. Outro ponto citado é que os valores do FGTS não foram depositados e há casos de oito meses de atrasos de salários para alguns atletas.


Por fim, o documento cita que a Lei Pelé permite que os atletas não entrem em campo com dois meses de salários atrasados, como já ocorreu no futebol brasileiro. Contudo, em respeito a instituição, os atletas relataram que não farão isso.


Após a divulgação da carta, a direção do Brasil de Pelotas ainda não se manifestou oficialmente. Ao jornal Diário Popular, a assessoria do clube informou que o presidente Evânio Tavares não iria se manifestar, ao menos por enquanto.


Confira a nota dos jogadores na íntegra:


NÓS, todos os atletas do elenco profissional do Grêmio Esportivo Brasil, decidimos vir a público manifestar nossa indignação com as condições de trabalho às quais estamos sujeitos. Somos cientes de que nossa profissão nos trás cobranças de Diretores, Torcedores e Veículos da Imprensa, e isso faz parte do nosso trabalho.


Mas todos também precisam saber o que de fato está ocorrendo no clube. No início do ano, nos foi prometido pela Diretoria do Grêmio Esportivo Brasil premiação por metas no Gauchão, como Campeão do Interior e bônus em caso de vitórias e empates, caso ficássemos entre os 4 melhores do Campeonato. Com muita luta e empenho de todos nós, chegamos até a fase semifinal, nos sagrando campeões do Campeonato do Interior Gaúcho de 2022.


Entretanto, quase 5 meses após a conquista, nada recebemos. Porém, isso jamais foi motivo para deixarmos de honrar o clube e sua torcida. Cobramos sim, diversas vezes a Diretoria, mas jamais deixamos de nos empenhar em campo ou fora dele.


Mas não é só. Como muitos sabem, a remuneração dos atletas profissionais de futebol muitas vezes é dividida em Salários, Direito de Imagem e Auxílio Moradia. Ocorre que nosso último pagamento se refere a Maio, e já estamos em Agosto.


O atraso nos pagamentos de nossa remuneração nos traz diversos prejuízos. Nós não somos da cidade, e, para aqui trabalharmos, tivemos que alugar imóveis, transferir escola de nossos filhos, custear nossa família aqui. Sem receber, não conseguimos pagar aluguéis, contas de luz, contas de água, alimentação básica. Há atletas sofrendo com ordem de despejo. Isso é justo?


Você, Diretor, Torcedor, Jornalista, Cronista, conseguiria manter 100% do seu rendimento estando com ordem de despejo, ou sem conseguir custear alimentação básica de seu filho, com ameaças de corte de luz?


É importante esclarecer que no elenco não há nenhum salário milionário, muito longe disso. A média salarial é baixa, no padrão do Campeonato Brasileiro Série C. Trabalhamos pelo básico e nem isso estamos tendo. Ainda, os valores do FGTS jamais foram depositados. Há casos de atrasos de 8 meses. E esses atrasos não são de agora. Desde o começo do ano nossas remunerações sempre foram pagas em atraso. Sempre ouvíamos do Presidente que iria resolver, mas sempre foram apenas promessas.


E é fundamental deixar claro que a Lei Pelé (artigo 32) nos permite deixar de entrar em campo, quando estivermos com nossa remuneração em atraso por 2 meses, como está. E isso já ocorreu em outros casos, como Grêmio Barueri, Mogi Mirim EC e mais recente como Figueirense FC. Mas não faremos isso, em respeito à instituição e aos torcedores Xavantes. Lutaremos até o fim!


Deixamos claro que estamos passando por sérias dificuldades financeiras, até para custear nosso combustível para irmos trabalhar. Mas em momento algum deixamos de treinar, concentrar, viajar e atuar. Honraremos esta camisa. Mas precisamos que a Diretoria também honre com nossos direitos, com nossos contratos.


Atenciosamente, atletas do elenco profissional do Grêmio Esportivo Brasil.


Foto: Volmer Perez/Divulgação