Denílson anuncia saída do Brasil-Pel e dispara: "Uma bagunça tremenda"

A cada dia a crise no Bento Freitas aumenta. Além do problema financeiro, o clube também enfrenta a saída de atletas. O último é o experiente volante Denílson, com passagens por São Paulo e Arsenal.


Em entrevista ao repórter Marcelo Prestes, da Rádio Universidade, o jogador expôs três meses de salários atrasados e classificou o momento vivido pelo Brasil como uma "bagunça tremenda" que ainda não tinha vivido.


"É difícil falar alguma coisa, mas a situação que a gente se encontra é muita delicada. Depois do jogo contra o Botafogo aquilo foi a gota d'água.  A gente vê a dificuldade que existe lá dentro do clube. Estamos há três meses sem receber. Estamos sim, mas tem muitos garotos que estão sem receber um centavo. A pressão também é grande. O que causou essa situação toda foi, torcida encostar mão em jogadores. Segundo, nenhuma satisfação da diretoria de colocar a cara na nossa frente para expor a situação. Então, assim, uma bagunça tremenda, tremenda mesmo. Eu estou me desligando do clube e é muito triste essa situação (...) Estou indo para São Paulo e ponto. Não quero um centavo do brasil, não vou cobrar na justiça", declarou o jogador à emissora.


O QUE DIZ O PRESIDENTE


O jogador ainda disse que não sabia quem era a diretoria do clube, pois não se apresentaram ao grupo. Ele ainda disse ser "surreal" o que o Brasil passa. O presidente do Xavante, Nilton Pinheiro falou à RU sobre as declarações do jogador.


"O Denílson não conversou com a diretoria. Quando ele chegou eu o recebi. Conversamos depois, ele agradeceu e durante todo o período que ele esteve em recuperação a gente acompanhou. Hoje, desde às 8h eu estava no clube, saí às 11h30 e às 13h30 estava de novo. Saí por volta de 15h40 e ele não me procurou. É uma pena ele ter falado tudo isso via imprensa, pois para mim ele não falou nada. Conversei com o representante dos atletas explicando com relação ao desembolso do pagamento. Estamos há 47 dias sem receber nenhum recurso. O próprio presidente do conselho e eu ajudamos a fazer pagamento de viagens e concentração. Estamos no nosso limite e os recursos não chegam. O culpado realmente é o presidente Nilson Roberto Pinheiro. Mas os recursos não estão chegando por questões jurídicas", explicou o presidente.


O dirigente disse estar permanentemente no clube e lamentou não ter sido procurado pelo jogador. Quanto a situação de torcedores abordando atletas em um treinamento, o presidente disse que ficou sabendo somente à noite, após o ocorrido. "Se alguém bateu em alguém isso é criminal. Não acho normal invadir treino. É lamentável isso. Se teve alguma coisa temos que colocar na justiça. Ninguém tem direito de fazer isso. Não aceito isso, mas eu soube depois, à noite", afirmou o presidente. 


Quanto a situação financeira, o presidente revelou que o clube terminou a pouco um condomínio de credores de 6 milhões e vem trabalhando diuturnamente para resolver as pendências junto à CBF para receber os recursos nos próximos dias.

Por fim, o dirigente disse que é constrangedor chegar no local de trabalho e as pessoas estarem com salários atrasados.


Foto: Divulgação Brasil