Dívida reduzida e meta até 2035: Brasil-Pel apresenta novo plano de Recuperação Judicial
- Peleia FC

- há 9 horas
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O Brasil deu um passo crucial para tentar reorganizar o seu complexo cenário financeiro. O clube protocolou junto à Justiça o seu novo plano de Recuperação Judicial (RJ) acompanhado da atualização do laudo de viabilidade econômico-financeira. O documento detalha minuciosamente a estratégia da instituição para renegociar suas pendências financeiras e garantir a continuidade das suas atividades operacionais e esportivas. As informações foram divulgadas pelos repórteres Gustavo Pereira e Marcelo Prestes do Jornal A Hora do Sul.
O tamanho do corte: de R$ 28,6 milhões para R$ 4,7 milhões
A proposta apresentada pela diretoria xavante trabalha com um abatimento agressivo nos valores devidos. O montante total listado na Recuperação Judicial é de R$ 28,6 milhões, valor que o clube propõe reduzir para R$ 4,7 milhões por meio de deságios (descontos) negociados com os credores.
É importante destacar que este plano não engloba o passivo tributário da instituição, estimado em R$ 29,7 milhões. Esta dívida com impostos está sendo tratada em paralelo, por meio de uma negociação direta de parcelamento firmada com a Procuradoria da Fazenda Nacional.
A engenharia do plano agora passará pelo crivo técnico do escritório de advocacia responsável pela administração judicial da RJ do Brasil. Após essa validação, será agendada a nova data para a Assembleia Geral de Credores, que havia sido adiada por determinação da Justiça.
Prioridade trabalhista e regras para fornecedores
Pelo texto da proposta, os credores de origem trabalhista (como ex-funcionários e atletas) terão prioridade absoluta no cronograma de pagamentos:
Valores até R$ 6 mil: Serão quitados de forma integral, sem aplicação de qualquer desconto ou deságio.
Valores superiores a R$ 6 mil: O plano prevê um pagamento fixo inicial de R$ 6 mil e uma redução de 90% sobre o saldo restante, respeitando o limite legal de 150 salários mínimos.
Acima de 150 salários mínimos: O saldo remanescente será liquidado em 10% do valor total, dividido em sete parcelas mensais. O objetivo da diretoria é zerar as pendências trabalhistas em até um ano após a homologação.
Os demais envolvidos receberão de acordo com as suas respectivas classes judiciais. Os credores quirografários — crédito documentado por um instrumento escrito, mas que não possui qualquer garantia real, como hipotecas ou penhores —, além de microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), receberão parcelas mensais nos primeiros cinco meses pós-homologação. Na sequência, haverá uma pausa programada de sete meses, e os repasses serão retomados assim que o plano completar um ano.
O documento estabelece contratualmente que a empresa investidora que acertou a aquisição de 90% das ações da SAF, a Xavante Participações, assumirá a responsabilidade financeira pelo cumprimento integral deste acordo.
Futuro em campo
O plano de recuperação deixa claro que a saúde financeira do clube dependerá estritamente do sucesso do futebol profissional. A SAF projeta uma escalada rápida no cenário nacional nos próximos dez anos. A meta imediata é garantir o retorno à elite do Gauchão já na atual temporada, conquistando o acesso na Série A2 deste ano.
A partir daí, o planejamento estratégico desenha a seguinte linha do tempo:
2027: Retorno à Série D do Campeonato Brasileiro.
2028 a 2032: Acesso à Série C nacional e estabilização na categoria.
2033 a 2034: Ascensão à Série B do Brasileirão, buscando a consolidação na segunda divisão nacional.
Essa evolução nos gramados reflete diretamente na receita projetada pela SAF. Para a atual temporada, o orçamento estimado do clube é modesto, na casa de R$ 3,6 milhões. No entanto, se todas as metas de acesso forem cumpridas, a previsão do documento é que o faturamento do Brasil dê um salto exponencial, atingindo uma arrecadação anual de R$ 114 milhões até o ano de 2035.
Transição da SAF segue travada por vias judiciais
Apesar dos planos audaciosos, a Sociedade Anônima do Futebol do Brasil de Pelotas segue, na prática, sob o controle total da Associação (o clube social). A transferência definitiva dos 90% das ações para as mãos dos compradores ainda não foi efetuada.
Atualmente, o gestor e investidor Emerson Rosa conduz o futebol do clube por meio de uma procuração. O motivo dessa transição incompleta é justamente uma barreira judicial atrelada ao processo de Recuperação Judicial. O magistrado responsável exige que a direção executiva do Brasil apresente informações adicionais detalhadas e cópias completas dos contratos firmados entre os investidores e o clube antes de autorizar a transferência das ações da SAF.
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