Ele disse não a um gigante argentino para começar a carreira de jogador no Juventude

Foto: Leonardo Bidese/Juventude
Integrando o elenco profissional do Juventude pela primeira vez neste ano, o jovem atacante Carlinhos, de 18 anos, vive um período mágico em sua recente carreira no Estádio Alfredo Jaconi. Ele já entrou em campo em 9 jogos na atual temporada pelo Verdão. No entanto, o caminho para alcançar o vestiário principal do clube alviverde exigiu, anos atrás, uma maturidade precoce e uma escolha de bastidores verdadeiramente impressionante.
Conforme revelado em reportagem especial do Jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, o atleta natural de Canoas precisou tomar uma decisão com apenas 10 anos de idade: arrumar as malas em definitivo para defender o gigante argentino Boca Juniors ou permanecer no Rio Grande do Sul para consolidar sua formação na Serra Gaúcha.
A curiosa trajetória do jovem atacante teve início nas escolinhas de futebol de Canoas, sua cidade natal na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em uma unidade conveniada à equipe de Buenos Aires, o talento do menino chamou a atenção de Oscar Aquino — renomado caçador de talentos do futebol argentino, famoso mundialmente por descobrir e lapidar craques do calibre de Carlos Tévez. Selecionado em três peneiras consecutivas pelo olheiro, Carlinhos viajou à Argentina para vivenciar de perto a mística de um dos clubes mais tradicionais do planeta.
Em entrevista resgatada pelo Jornal Pioneiro, o atacante relembrou com carinho a experiência em solo portenho:
"Foi uma experiência inesquecível. Poder ver a estrutura, ficar no alojamento e fazer os treinamentos lá foi muito bacana. O futebol argentino é muito diferente, é mais pegado e disputado desde cedo. Lembro que fiquei no alojamento onde o Pavón (atualmente no Grêmio) tinha acabado de morar. Ele tinha saído dali há pouco tempo como uma grande promessa do clube."
Após o período de testes e a aprovação oficial na comissão de base do Boca Juniors, o guri e seus familiares viram-se diante de uma enorme interrogação. Embora o peso de vestir a camisa xeneize fosse tentador, o coração e o planejamento familiar falaram mais alto. Como já dividia sua rotina de treinos semanais com o Juventude, em Caxias do Sul, o atleta e seus pais enxergaram na tranquilidade e na tradição da Serra um ambiente muito mais propício e seguro para sua evolução técnica e humana.
Carlinhos explicou os motivos que o fizeram recusar o gigante argentino para fazer da Serra o seu lar:
"Como eu era muito novo, optei por ficar no Juventude, que sempre teve o brilho e a fama de ser um grande clube formador. Desde cedo me identifiquei muito com o clube, com a Serra, com o clima e com as pessoas daqui. Conversei muito com meu pai e com minha mãe, e nós achamos melhor continuar o processo no Juventude porque o projeto aqui era muito claro. Escolhi fazer daqui a minha casa e trabalhar duro para crescer dentro do clube."
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