Falha em protocolo da CBF faz Ypiranga viajar 11 horas com atletas infectados no ônibus

Desde o retorno do Campeonato Gaúcho, o Ypiranga foi submetido ao rigoroso protocolo da Federação Gaúcha de Futebol com testagem regular, isolamento do vestiário e atletas chegando uniformizados para os treinos. No estadual não foi registrado nenhum problema quanto ao novo coronavírus. Contudo, na estreia da Série C, um grave erro no protocolo da CBF trouxe problemas ao clube.


A primeira partida do Ypiranga na competição nacional foi na semana passada em Santa Catarina. O canarinho encarou uma viagem de 11 horas às cegas até Brusque, pois o clube não tinha os resultados dos exames para a covid-19. Os testes foram feitos na quarta-feira e a partida marcada para sábado. A equipe viajou na quinta-feira, mas os resultados saíram apenas no sábado pela amanhã, dia do jogo.


O gerente de futebol do Ypiranga, Renan Mobarack, criticou duramente o protocolo. Em contato com peleiafc.com, o profissional chegou a entrar em contato com o laboratório credenciado pela CBF para antecipar os resultados para antes da viagem, mas não conseguiu.


"Eu falei que é impossível viajar sem saber quem está positivado ou não. Imagem um ônibus fechado, 11h, com 20 atletas? Se pega os dois goleiros? Como vou jogar? Falei com o responsável do laboratório e com a CBF. Dito e feito viajamos na quinta sem saber os resultados. Chegamos no hotel e sábado de manhã por volta das 10h30 recebi o comunicado que seis atletas estavam positivados. Tudo que alertei aconteceu", comentou.


O gerente contou que no dia do jogo afastou os atletas em quartos individuais. O time foi para o jogo com apenas 4 reservas, sendo um goleiro. Dos jogadores diagnosticados com a covid-19 quatro eram titulares.


"Foi um desequilíbrio técnico gigante, o Brusque estava com 11 atletas no banco e nós 4. O adversário fez todas as substituições e nós apenas três. Na volta para Erechim, peguei os motoristas do ônibus e fiz uma higienização completa na parte de baixo do ônibus e colocamos os infectados ali. Os demais ficaram na parte de cima", declarou Mobarack.


O dirigente avaliou como um erro gritante do protocolo. Na semana seguinte, a CBF mudou os procedimentos. Antes, o laboratório credenciado pela CBF terceirizava os serviços para outros intermediários. Foram três etapas que geravam toda essa demora. Agora, a CBF autoriza o clube indicar um laboratório próximo.


"A CBF mudou, agora eu posso indicar o laboratório. Nós pegamos o Qualitá, que fez todo o Gauchão. Eles são de Novo Hamburgo, vem aqui coletam, trabalham a madrugada toda e no outro dia já saiu o resultado às 8h30 da manhã", contou.


Depois da estreia, o Ypiranga teve mais três atletas positivos para a covid-19. Para Renan, esses novos infectados foram em decorrência da viagem com os positivados sem o clube ter conhecimento do resultado dos exames.


Problemas iguais foram registrados em outras partidas do Brasileirão. Em nota no seu site, a CBF anunciou algumas mudanças no protocolo. Agora, os resultados dos testes deverão ser enviados a entidade até 24h antes da partida pelo clube mandante, e até 12h antes da viagem pelo clube visitante.


A Confederação também tirou a exclusividade do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, para a realização dos exames. A CBF deixou a cargo dos clubes a opção de realizar os testes pelo Einstein ou em laboratórios locais. A entidade seguirá bancando os exames nas duas situações.