Presidente do Soledade avalia situação financeira da base e pede ajuda

Não são apenas os clubes profissionais que estão precisando de ajuda. Os clubes de base também pedem socorro às suas federações para tentar manter suas equipes. O Soledade é o último campeão de torneios da base da Federação Gaúcha de Futebol, quando venceu o Brasil de Pelotas, na final da Copa sub-19, em dezembro. O primeiro título da história do clube fundado em 2016, conhecido pela formação de atletas, que hoje destacam-se em grandes clubes do Brasil, como Corinthians (Maílson, atacante 2003) e Botafogo (Lucas, lateral esquerdo 2003), e até mesmo do exterior, caso do zagueiro Andrés no Cortuluá-Col, se tornou um sonho transformado em realidade. E o passo seguinte seria uma boa campanha no Gauchão sub-20, deste ano, e consequentemente uma vaga para a Copa São Paulo. No entanto, o sonho está virando pesadelo e a continuidade do futebol com toda essa pandemia está por um fio. O presidente Franciscou Lodi, falou sobre a situação. "Fomos campeões ano passado sub-19. Nossa ideia era fazer um time forte para conquistar uma vaga para a Copa São Paulo. Esse era nosso objetivo no ano. Projetamos, investimos e contratamos para isto. Agora não sabemos nem se teremos sub-20. Nosso déficit no ano de 2019 foi em torno de R$ 200 mil, principalmente devido a queda de patrocínios, que teve de ser absorvido pelos acionistas do clube. A tendência é que com o primeiro semestre parado e sem perspectivas de quando o futebol na base será retomado, este déficit dobre, o que inviabilizaria a manutenção das atividades com clube. Entre funcionários e contrato de trabalho eram mais de 15 funcionários, força que foi reduzida em 45% após a pandemia. Se forem contabilizados dias de jogos, bem como atletas que recebem ajuda de custo, o número de pessoas que dependem diretamente do clube passam de 50", disse.


QUEDA DE RECEITAS


Segundo o dirigente, entre patrocinadores, empresas e profissionais que ajudam o clube, 20% das despesas mensais do Soledade são cobertas. No entanto, muitos dos patrocínios são do comércio e estão sofrendo para manter-se abertos nesta época de pandemia. Cabe ressaltar que a exportação de pedras preciosas e a agricultura, que são os principais motores da economia local, terão perdas entre 40 e 60%, segundo estima o presidente.


"Verbas desse ano, previstas, já não entraram nos cofres do clube. As outras receitas do clube como venda de ingressos, sócios, copa, venda de produtos licenciados, escolinhas de futebol e outros, somados, contribuem com mais 25 a 30% das despesas do clube. Entretanto, estas receitas não estão entrando, uma vez que o clube não está jogando, e não se tem previsão de início das competições, o que torna a situação do clube delicadíssima", relatou. Lodi revelou estar quebrando a cabeça e tentando reduzir ao máximo as despesas. Entretanto, conforme ele, fazer futebol de base nesse momento é praticamente impossível.


"No primeiro semestre a chance é zero. Será impossível para os clubes alojarem 10, 20 e 30 atletas sem o controle da disseminação do novo vírus. Estamos vendo diversas situações. Não sabemos que campeonatos serão realizados no segundo semestre. O calendário de competições será diminuído pela metade este ano. Os torneios da base que durariam o ano inteiro, terão que ser remanejados, e torneios como a Sub-19 que fomos campeões provavelmente não acontecerão. Precisamos da ajuda da FGF e CBF", solicitou o mandatário.


GASTOS E O PEDIDO DE SOCORRO


O presidente do Soledade apontou que o clube gasta cerca de R$ 1.500 por jogo com taxa de arbitragem, sendo que em uma temporada o valor total chega a R$ 30 mil, fora as taxas de contrato e transferências dos atletas que são pagos por ser uma equipe formadora.


"No ano passado, fomos o único clube brasileiro a ter um atleta emprestado pelo River Plate. Precisamos de ajuda das nossas federações e confederação, além de uma união dos clubes menores, senão muitos de nós não teremos como sobreviver", desabafou.

Foto: Arquivo/Assessoria P2