"É impossível", diz presidente do 14 de Julho sobre pagar nova filiação à FGF; Dívidas chegam a 4 milhões
- Peleia FC

- há 23 horas
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Foto: 14 de Julho/Divulgação
O caminho para o retorno do 14 de Julho ao futebol profissional é mais íngreme do que muitos torcedores imaginavam. Em entrevista reveladora ao programa O Cancheiro, da Rádio Guaíba, o presidente Julio Batisti abriu o jogo sobre a situação burocrática e financeira do "Leão da Fronteira", que está há 12 anos afastado dos gramados oficiais. O mandatário foi enfático ao tratar da possível necessidade de pagar uma nova filiação junto à Federação Gaúcha de Futebol (FGF): para a realidade atual do clube, essa hipótese é "impossível".
O imbróglio começou em 2024, quando o clube recebeu um comunicado da FGF e ninguém foi atrás. Segundo Batisti, a regra era clara, mas a comunicação interna do clube na época falhou drasticamente.
"A resolução dizia o seguinte: Clubes que não jogam competições federadas e não comunicam durante 5 anos estarão automaticamente desfiladas. Alguém recebeu esse comunicado. Alguém recebeu um e-mail. Alguém recebeu um telefonema e deixou quieto, colocou na gaveta. Entende? O estrago já foi feito", lamentou o presidente ao jornalista Nicolas Wagner.
O desfecho dessa omissão culminou na desfiliação automática, confirmada oficialmente em março de 2024. O peso financeiro para reverter esse quadro é o principal adversário.
Informações apuradas pelo Peleia FC indicam que uma nova filiação na FGF custa entre R$ 385 mil, somados a outros R$ 600 mil exigidos pela CBF. Diante de tais cifras, Batisti é categórico:
"Para filiar novamente, na verdade nós não sabemos, porque nós precisamos ir na federação avaliar as taxas, o que é que precisa, o que o clube deve e o que nós precisamos para voltar a se filiar, questão de valores. Alguns dizem que é uma nova filiação. Isso é impossível. O 14 de julho fazer uma nova filiação é impossível".
A negativa do presidente se baseia em uma realidade contábil sufocante. O clube carrega um passivo que beira os R$ 4 milhões, englobando dívidas trabalhistas e débitos com o município, o estado e a União.
"Nós estamos nos defendendo de todos os lados, entende. Então é assim, não tem condição do 14 de Julho hoje buscar um valor para se filiar. E a gente nem sabe quanto é. Então, um clube com uma história como a do 14 de Julho, é uma empresa de 124 anos, quer dizer, ela está hoje falida. Mas nós vamos recuperá-la", garantiu o dirigente.
Antes de bater à porta da FGF em Porto Alegre, Batisti foca em organizar o Estádio João Martins e a estrutura administrativa mínima necessária. Ele apela por uma sensibilidade maior das entidades que regem o esporte, defendendo que o peso histórico do terceiro clube mais antigo do Brasil não pode ser ignorado.
"Ao recuperá-la, o clube necessita de um olhar carinhoso da federação, da CBF", concluiu.
Uma alternativa seria a aquisição da filiação de um clube inativo para posterior alteração de nome, o que reduziria drasticamente os custos e permitiria ao Leão rugir novamente no cenário profissional.




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