Confira as sugestões para o calendário do futebol gaúcho


O debate promovido pelo site peleiafc.com sobre o futebol do interior do Rio Grande do Sul, no último domingo, discutiu diversos pontos. Até se chegar a questão sobre o calendário foram tratados temas como: gestão profissional e principalmente a formação de jovens jogadores. Os treinadores Fabiano Daitx, Cristian de Souza, Fabiano Borba e Paulo Porto afirmam que é preciso discutir o futebol do interior como um todo e não apenas o calendário.


"Queremos abordar três aspectos: formação de atletas, gestão dos clubes e o calendário. O dinheiro para se fazer futebol ficou em três meses. Isso traz consequências aos clubes. Não temos mais sócios, pois ninguém vai se associar para ver três meses. Nem a formação de atletas. Pegar uma equipe e desenvolver em três meses em nível tático, técnico e competitivo é muito difícil. Estamos tomando o caminho de encurtar a competição cada vez mais. Estamos propondo o modelo de gestão do clube todo. Não é só falar sobre o calendário, queremos discutir o futebol gaúcho como um todo", esclarece Fabiano Daitx.


Paulo Porto defendeu a formação dos atletas como a base de sustentação para melhorar o futebol do gaúcho. Para Borba, a pandemia só escancarou a realidade do nosso futebol, mas ele frisa que não há culpados. Por isso, o debate de ideias para melhorar o futebol do interior é essencial.


"A nossa discussão quer ser mais profunda, falar sobre a formação, dos clubes que estão parados. Queremos democratizar mais, o futebol está elitizado. O problema é amplo e requer essa discussão", frisa Cristian de Souza.


O pontapé inicial foi dado. Agora, é seguir o debate com mais profissionais em busca de ideias. O projeto como um todo será levado em breve ao presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Luciano Hocsman. Assim, será possível ver as viabilidades. Hocsman já se mostrou aberto ao diálogo.


Um dos tópicos da discussão foi a contratação de atletas de fora do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento do Peleia FC, 40% dos jogadores contratados nesta temporada pelos 16 clubes vieram de outros estados. Um dos motivos, a falta de investimento na formação. Por exemplo, são poucos clubes da Série A2 que têm categoria sub-20. Mas por outro lado, algumas equipes questionam o custo elevado para se fazer futebol nas categorias de base. É entendimento de todos que se precisa achar soluções para diminuir os custos. Só para se realizar uma partida na base o gasto é praticamente igual de um time profissional com pagamento de arbitragem, segurança particular e ambulância.


>>> CALENDÁRIO


O temor dos profissionais é ficar um longo período com os clubes do interior parados, inativos e sem geração de empregos. Problema que pode provocar o abandono em massa de jogadores da profissão. Por isso, eles apontam ser fundamental a manutenção das competições no primeiro semestre.


"Tratamos o ano de 2021 como um ano de emergência e adaptações. Todo mundo é da mesma opinião que é muito tempo ficar em inatividade até a metade do ano. Nossa proposta leva em conta isso. A nossa ideia traria a disputa do Acesso e da Terceirona no primeiro semestre em paralelo com o Gauchão. Obviamente que temos que levar em conta a situação da pandemia. Mas o prejuízo de ficar sem futebol até a metade do ano que vem é incalculável, são jogadores que vão desistir da sua carreira", declara Cristian de Souza.


A proposta inicial leva em conta o mês de janeiro como de pré-temporada. Os profissionais sugerem quatro meses de Divisão de Acesso, começando em fevereiro e terminando em maio. Já a Terceirona Gaúcha sendo de fevereiro até junho. Com um diferencial, nessas duas competições a proposta é aumentar as vagas de acesso para dar uma chance maior aos clubes.


"Teríamos o acesso de três equipes para o Gauchão. Aumentaria a rotatividade das equipes indo à primeira divisão, dando renda e aporte financeiro. E a mesma forma na Terceirona subindo quatro equipes", explica Cristian.


>>> AUMENTO GRADUAL DE EQUIPES ATÉ 2025


A unificação de séries também chegou a ser debatida como sugestão, com o fim do Acesso e da Terceirona. Mas abriria margem para clubes "aventureiros", sem condições de jogar. Assim, achou-se melhor manter os campeonatos no projeto. Modificar o calendário é complexo, pois pelo estatuto do torcedor deve-se dar a possibilidade de as equipes terem um calendário de 10 meses de atividade.


Os profissionais também defendem um aumento gradual dos participantes da Divisão de Acesso até 2025 chegando a 24 equipes, pois, há dúvidas se até lá os estaduais vão permanecer. Com a redução cada vez maior de datas por parte da CBF, o futuro dos estaduais é dado como incerto. "Então, a gente já se prepara caso ocorra o cancelamento dos estaduais. Muitos dirigentes que contatamos levam isso em conta do cancelamento dos estaduais no futuro", analisa Cristian.


>>> SEGUNDO SEMESTRE


Para o segundo semestre, os treinadores propõem a realização de uma Supercopa, envolvendo mais equipe no formato regionalizado. Seriam três grandes grupos disputando títulos regionais. As vagas para Copa do Brasil e Série D ficariam todas para essa Supercopa, como forma de atrair a participação dos times e mobilizar as cidades com clássicos.


"Existem várias ideias e a opinião é recorrente que precisamos valorizar essa competição. E a nossa ideia é pegar todas as vagas em competições nacionais e jogar na Copinha. Assim ela seria muito atrativa. Promoveríamos a volta dos clássicos. A primeira fase seria regionalizada em três grandes grupos. Seria uma Supercopa e poderíamos até vender o nome da competição. Por exemplo, o nosso Sicredi, aqui do estado, patrocinando 16 campeonatos em nível nacional", comenta Cristian.


Segundo o profissional, esses três campeonatos regionalizados teriam finais. O campeão de cada região já levaria uma vaga na Copa do Brasil. "Não temos a menor dúvida que a criação da competição com esse recurso (da Copa do Brasil) inflama a cidade e atrai os clubes", resumiu.


Algum torcedor pode pensar que a sugestão não modifica muito o calendário atual. Contudo, traz sugestões pontuais. Para Fabiano Daitx, o calendário atual não é ruim, mas falta ser atraente.


"Tu pode fazer um exercício e dizer que é o mesmo calendário. Não achamos ruim o calendário atual, mas ele não é atrativo. Como tu faz isso: ou com aporte em dinheiro ou com vaga. Como temos pouco dinheiro, vamos com as vagas. Por que colocar todas na copinha ? Porque tu coloca em disputa entre todos com igualdade. O mais democrático é colocar as vagas onde todos os clubes jogam. Com a regionalização tu terias três regiões do estado com vaga na Copa do Brasil", explica Daitx.


>>> CAMPEONATO SUB-18


Defensor das categorias de base, Paulo Porto sempre aconselha aos dirigentes que as equipes tenham 80% de investimento em contratações e os outros 20% de jovens da cidade ou da base. "Temos que criar uma maneira de mante o futebol do interior". Com esse depoimento, Paulo Porto defende uma valorização dos jovens e das competições


A proposta também sugere a obrigatoriedade dos times da 1ª Divisão do Gauchão e Divisão de Acesso terem categoria de base. Seria criado um campeonato sub-18, pois é categoria intermediária entre a formação e o grupo profissional. A categoria sub-18 é mais viável de se trabalhar com jogadores da cidade, conforme os treinadores. Os jogos deste campeonato seriam realizados como preliminares das partidas dos times principais.

>>> QUEM PAGA A CONTA?


A primeira pergunta que algum dirigente pode ter é essa. Os treinadores também pensaram neste aspecto e têm sugestões para a sustentabilidade das equipes, como um programa único de sócio torcedor para todo o estado. Além do aperfeiçoamento da transmissão via internet, com a FGF TV. Segundo Cristian, tendo um calendário de 10 meses para as equipes haveria um interesse maior dos torcedores e, assim, mais sócios aos clubes.


Na imagem a seguir você confere a ideia central. Foi proposto um calendário especial para 2021, já que haverá efeitos da pandemia na temporada. Também existe uma projeção para 2025.


Confira a sugestão: