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“Vai ter chiadeira, vai ter reclamação”: técnico do Veranópolis alerta para ponto importante da Divisão de Acesso 2026

Foto: Divulgação/Veranópolis

A mudança do calendário do Gauchão Série A2 para o segundo semestre promete trazer desafios para os clubes do interior do Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Gaúcha Serra, o técnico do Veranópolis, Gelson Conte, fez um alerta sobre o acúmulo de partidas e os impactos do fenômeno climático Super El Niño, que prevê volume elevado de chuvas no estado até o final do ano.


A alteração da competição do primeiro para o segundo semestre atendeu a um pedido das diretorias, que buscavam fugir das temperaturas extremas e do rigor do inverno gaúcho nas fases decisivas. Contudo, a maratona de jogos concentrada em pouco mais de um mês e meio passou a ser o novo motivo de preocupação.


Desgaste de atletas e logística


Para Gelson Conte, o intervalo curto entre os confrontos exigirá elencos numerosos e de nível homogêneo para suportar a rotina de viagens e treinamentos dentro de ônibus:

Acho que na sexta ou na sétima rodada vai ter diretor, vai ter presidente gritando. Isso é uma coisa certa. A mudança que foi feita por um pedido de muitos clubes, não sei se ela é vantajosa. Vai haver chiadeira. Tu precisas ter um elenco de 25, 26 a 28 atletas do mesmo nível. Por que é que eu digo isso? Nós vamos jogar uma competição em que, em um mês e meio, vamos atuar quarta, domingo e sábado. Vou ser bem franco com vocês: a minha tabela, em questão de logística, é boa. Vou ter uma dificuldadezinha em Frederico Westphalen e, quando voltar, tenho que ir a Vacaria. Mas vai ter equipe que vai treinar dentro do ônibus. Na sexta ou na sétima rodada vai vir a gritaria, e aí não adianta gritar.”

Preservação dos gramados e o trunfo do CT do Veranópolis


O treinador pontuou também o impacto direto nos campos de jogo, destacando que mesmo estruturas de excelência, como o Estádio Antônio David Farina, sofrerão com o excesso de partidas sob chuva constante:

“Trabalhei uma vez no nosso gramado do Estádio Antônio David Farina e sei que isso é muito ruim. Eu preciso do meu estádio, o meu gramado não pode ser meu adversário. Talvez eu tivesse a vontade de trabalhar na semana que vem, mas a previsão é de chuva. Por isso posso dizer que o nosso gramado é um tapete, mas em três ou quatro rodadas vai virar uma baderna. Isso é normal, o tempo está mostrando. Felizmente, nós aqui em Veranópolis contamos com o CT.”

Alerta sobre a estrutura do futebol gaúcho


Ao finalizar, Conte reiterou a manchete de seu alerta, prevendo um cenário de forte contestação por parte dos dirigentes ao longo da competição:

“Vai ter chiadeira, vai ter reclamação. Podem escutar que vai ter aquela conversa: ‘Acho que não foi uma boa ideia, a gente se precipitou’. Fazer uma competição de 15 jogos em um mês ou um mês e meio, para a estrutura que nós temos no Rio Grande do Sul, é algo bastante deficitário.”

 
 
 

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