
Foto: Sérgio Galvani/Guarany/Divulgação
O Guarany de Bagé entra em campo nesta quarta-feira para um dos compromissos mais aguardados de sua temporada: a estreia na Copa do Brasil. Em sua segunda participação histórica no torneio nacional, o "Índio Guerreiro" enfrenta o Caxias, às 20h, no Estádio Centenário, carregando não apenas a ambição esportiva, mas o peso de uma premiação que pode transformar a realidade administrativa do clube.
Em entrevista à Rádio Gaúcha Serra, o presidente do Guarany, Tato Moreira, detalhou a complexa engenharia financeira que envolve a cota de classificação para a próxima fase, estimada em 900 mil reais. Segundo o dirigente, o valor bruto sofre reduções significativas antes de chegar ao cofre alvirrubro.
"A gente subtrai 20% que fica para a CBF. São duas subtrações de 10%. São duas, o INSS e mais uma tal de FAP que existe lá". Além dos descontos tributários e federativos, o clube já estabeleceu um acordo de valorização do elenco, destinando 30% do montante líquido aos atletas como premiação. "Tem que ser justa porque essa vaga, caso acontecesse a conquista, seria direto para eles; eles fizeram dentro do campo essa conquista".
A relevância da Copa do Brasil para o Guarany extrapola o pagamento de bichos ou despesas imediatas. O torneio tem sido o motor de uma reestruturação profunda iniciada nos últimos anos. Tato Moreira revelou que o clube vive um momento de rara estabilidade, com passivo trabalhista zerado, salários rigorosamente em dia e fornecedores pagos, o que garantiu a recuperação do crédito bancário da instituição após três décadas de restrições.
"Nós recuperamos o crédito bancário que não tínhamos há mais de 30 anos, tudo isso com esses movimentos da Copa do Brasil do ano passado. A gente continua fazendo investimento estrutural e vai continuar fazendo", declarou Tato.
Apesar do otimismo com a gestão interna, o presidente aproveitou para cobrar melhorias no cenário do futebol nacional, especificamente na Série D, que o clube disputou no ano anterior com um déficit superior a 300 mil reais. Moreira posicionou-se contrariamente à criação de uma Série E, defendendo que o foco da CBF deve ser o fortalecimento da quarta divisão para que ela deixe de ser deficitária. O dirigente apontou a questão das transmissões e da visibilidade como o ponto central para os clubes captarem mais recursos.
"A Série D ainda é deficitária. A gente acredita que a D tem que ser melhorada, tem que ter mais investimento, se transformar num produto de visibilidade melhor para que os clubes realmente consigam captar mais dinheiro", finalizou.


