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Foto: Guarany/Divulgação

O planejamento para o futuro do Guarany de Camaquã deu um passo fundamental rumo à realidade. No último fim de semana, a diretoria do clube publicou imagens dos caminhões carregados com os rolos de grama sintética que irão forrar o campo da nova praça esportiva da equipe. O início dessa construção marca uma nova era institucional, viabilizada após uma importante decisão estratégica de venda do antigo estádio, localizado no centro da cidade.


O tapete sintético foi adquirido junto à empresa ProGrass, marca de forte e que ostenta uma vasta carteira de clientes pelo Brasil. A fornecedora é a mesma responsável por instalar o futuro gramado do estádio do Gramadense, na Serra Gaúcha, e entrega um produto de padrão idêntico ao piso do São José em Porto Alegre.


Raio-X do novo complexo de R$ 9 milhões


A chegada do gramado é apenas o cartão de visitas de um projeto ambicioso. O Guarany de Camaquã planeja entregar à sua comunidade um complexo esportivo de alto nível, com um investimento total estimado em cerca de R$ 9 milhões.


A antiga sede central do clube foi vendida por aproximadamente R$ 10 milhões, e praticamente todo o montante foi revertido e reinvestido na construção da nova praça de esportes.


O projeto arquitetônico e estrutural prevê uma infraestrutura completa para o desenvolvimento do futebol e o atendimento ao público:


  • Um campo oficial de futebol onze com medidas regulamentares;

  • Academia moderna voltada à preparação física dos atletas;

  • Ginásio poliesportivo e salão de festas para eventos e integração da comunidade;

  • Sistema de iluminação de última geração, habilitando a praça esportiva para receber jogos à noite.

 
 
Imagem gerada por IA

Há páginas no livro do futebol que não se explicam pela lógica, mas pela poesia. Corria o ano de 1969 quando os gramados castigados pelo inverno do Rio Grande do Sul testemunharam um milagre estético e melancólico. Manuel Francisco dos Santos, o Mané, o Anjo das Pernas Tortas, bicampeão do mundo e eterna alegria do povo, desfilou sua genialidade crepuscular longe dos grandes holofotes.


Acompanhando a mística garganta de Elza Soares em turnê pelo Estado, Garrincha, aos 36 anos e fustigado pelas dores nos joelhos e pelas dificuldades financeiras, vestiu o manto de três clubes do interior gaúcho. Se jogasse nos tempos modernos, sua arte valeria fortunas intangíveis; naquela transição entre as décadas de 60 e 70, o gênio oferecia seus últimos dribles em contratos curtos, peregrinando até seu último ato no Olaria, em 1972. Para os torcedores das cidades de Novo Hamburgo, Rio Grande e Passo Fundo, porém, o tempo parou. Eles guardam na memória o privilégio eterno de terem visto a lenda pisar o chão de suas províncias.


Em uma pesquisa história, o peleiafc.com encontrou informações precisosas em reportagens escritas pelos jornalisticas Rafael Divério, José Finkler e Lucas Scherer.


Ato I: A névoa no Vale do Sinos


O inverno recém começara quando, no dia 2 de julho de 1969, o Novo Hamburgo estendeu a mão ao gênio. A diretoria do Noia desembolsou 2 mil cruzeiros novos — uma pequena fortuna que hoje equivaleria a cerca de R$ 30 mil — para que Mané vestisse a camisa anfitriã em um amistoso de gala. O palco era grandioso: o Beira-Rio, inaugurado pelo Internacional há pouco menos de três meses. Naquela tarde, os torcedores do Vale do Sinos prenderam a respiração a cada vez que a bola procurava o flanco direito.


Garrincha jogou por 60 minutos. Entre o esforço comovente e algumas fintas que ainda guardavam o perfume dos anos dourados, o ponta pouco pôde fazer para evitar a vitória colorada por 3 a 1. Mas o placar era o que menos importava; Novo Hamburgo batizava sua estreia no novo colosso da Capital com as pegadas do maior de todos.


Ato II: O caminhar no frio da Zona Sul


Quatro dias depois, a caravana da saudade rumou para o extremo sul do Estado. No dia 6 de julho de 1969, o vento cortante da Lagoa dos Patos recepcionava Garrincha na histórica cidade de Rio Grande. Ali, o tradicional e centenário Riograndense, carinhosamente conhecido como o "Guri Teimoso", investiu 1,5 mil cruzeiros novos (algo como R$ 25 mil atuais) para promover um acontecimento inesquecível contra o Brasil de Pelotas. A mística funcionou.


O Estádio Torquato Pontes lotou de tal forma que as bilheterias registraram um faturamento que mais do que dobrou o investimento do clube. O povo queria ver o mito. Mané formou um trio de ataque que parecia saído de um sonho de rádio, ao lado de Paulo Renato e do centroavante Nico, o maior ídolo da história do clube e artilheiro do Gauchão de 1967.


O frio reinante na Zona Sul, contudo, era implacável, agressivo como um marcador de Copa do Mundo. Garrincha resistiu apenas 45 minutos em campo. Relatos da época do Jornal Rio Grande descrevem uma cena com tom crítico: o craque passou o tempo caminhando, movendo-se devagar pelo gramado apenas para "não se enregelar", participando de escassos três ou quatro lances de perigo.


A partida terminou em um plácido 0 a 0, mas quem estava nas arquibancadas do Torquato Pontes levou para casa a imagem lírica do Anjo tentando driblar o próprio inverno gaúcho.


Ato III: Autoridades, vaias e uma trave em Passo Fundo


O solo gaúcho, todavia, não era uma terra totalmente nova para o camisa 7. Um ano antes, no dia 3 de março de 1968, a mística de Garrincha havia subido os altos do Planalto Médio para uma tarde de crônica pura em Passo Fundo. Defendendo as cores do 14 de Julho em um amistoso contra o Atlântico, Mané viveu um dia de contrastes profundos, quase surrealistas. Buscado em Porto Alegre pelo então presidente do clube, Hilário Rebechi, o craque foi recebido com as maiores honrarias da comunidade: almoçou na casa do mandatário ao lado do prefeito Mário Menegaz e do bispo Dom Cláudio Colling.

A bênção e o poder secular dividiam a mesa com a boemia do futebol.


Após a refeição, a comitiva rumou para o hoje extinto Estádio Celso Fiori. Fora das quatro linhas, a vida de Mané cobrava juros pesados; a imprensa noticiava o fantasma de um mandado de prisão civil por pensão alimentícia vindo da 6ª Vara de Família do Rio de Janeiro, que ameaçava recolhê-lo por três meses à Penitenciária Lemos de Brito — destino que, por sorte, ele evitou na época.


Dentro de campo, o corpo já não respondia aos comandos da mente genial. Garrincha atuou por 40 minutos, chegou a ouvir a heresia de vaias de uma torcida exigente, mas, num último lampejo de realeza, desferiu a única jogada digna de registro da tarde, acertando uma bola estrondosa na trave. O Atlântico venceu por 1 a 0.

 
 
Foto: Sérgio Galvani / Guarany FC

O domingo (14) foi marcado por fortes emoções, roteiro de cinema e definições matemáticas no encerramento da quinta rodada da Copa FGF (Copa Dunga). O grande destaque da tarde ficou por conta do clássico Ba-Gua de número 434, que terminou com uma virada heroica e implacável nos acréscimos.


Paralelamente, a Serra Gaúcha testemunhou a consolidação de mais um clube classificado para a próxima fase do torneio que homenageia o capitão do tetra.


Milagre nos acréscimos: Guarany vira o clássico Ba-Gua aos 51 minutos


No Estádio Pedra Moura, a tradicional rivalidade da Rainha da Fronteira entregou tudo o que o torcedor esperava. Jogando em seus domínios, o Bagé tomou a iniciativa e abriu o placar logo no início do segundo tempo, aos 4 minutos, com um gol do experiente zagueiro Diego Rocha. Diante do cenário desfavorável, o Índio iniciou uma reação valente: aos 24 minutos, Marcos Paulo balançou as redes e decretou o empate do Guarany.


Quando tudo se encaminhava para uma igualdade que favoreceria o time da casa, o futebol reservou o golpe final para os acréscimos. Aos 51 minutos da etapa complementar, no último suspiro da partida, João Teixeira acertou um belo chute e garantiu a vitória de virada por 2 a 1 para o Alvirrubro. Com o triunfo heroico, o Guarany chegou aos mesmos 5 pontos do Bagé, igualando a pontuação do próprio rival na vice-liderança do Grupo B e entrando de vez na briga direta por uma vaga às semifinais.


A definição do grupo ficou completamente aberta para a rodada derradeira. Na última jornada da fase de grupos, o Bagé terá o desafio de encarar o Farroupilha fora de casa, enquanto o motivado Guarany receberá o Brasil de Pelotas no Estádio Estrela D'Alva.


Santa Cruz busca o empate na Serra e carimba a vaga


No outro confronto que fechou o domingo de Copa FGF, o Santa Cruz garantiu a sua classificação antecipada para as semifinais ao empatar em 1 a 1 com o Brasil de Farroupilha, no Estádio das Castanheiras, na Serra Gaúcha. O time da casa largou na frente com um gol de Elieser, castigando a defesa do Galo. Contudo, demonstrando a força de seu elenco, o Santa Cruz manteve a calma e buscou o gol da igualdade com Jhonatan Lima.


O ponto somado fora de casa foi o suficiente para os planos do clube de Santa Cruz do Sul. O Galo alcançou os 9 pontos na segunda colocação e não pode mais ser ultrapassado pelo próprio Brasil de Farroupilha, que estacionou nos 4 pontos e dá adeus às chances de avançar.


Na última rodada, em um confronto que promete faíscas, o Santa Cruz receberá nos seus domínios o Gramadense, atual líder da chave. Já o eliminado Brasil-FA cumprirá tabela jogando longe de casa contra o Monsoon.


Cenário da Última Rodada (Fase de Grupos):


Quarta - 15h


  • Grupo B:

    • Farroupilha x Bagé (Em Pelotas)

    • Guarany x Brasil de Pelotas (No Estrela D'Alva)


  • Grupo A:

    • Santa Cruz x Gramadense (Em Santa Cruz do Sul)

    • Monsoon x Brasil de Farroupilha (Em Porto Alegre)

 
 
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